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Presidente Rui Silva em entrevista ao Jornal A Bola

20/11/2009

O Presidente da Direcção do Clube Desportivo Trofense, Rui Silva, concedeu esta sexta-feira uma entrevista ao jornal A Bola. Presidente falou de um mega projecto e da confiança no regresso à 1ª Liga. Leia aqui a entrevista com o título «Cidade Desportiva é um sonho!»

Entrevista de PAULO SÉRGIO PINTO

« CIDADE DESPORTIVA É UM SONHO!»

Foi um começo periclitante do Trofense, mas está em marcha a retoma. Como geriu esse período?
— O sucesso baseou-se na solidariedade que a Direcção sempre teve com a equipa técnica e jogadores. Fomos fustigados por uma onda de lesões e castigos que não nos possibilitou ter o arranque desejado. Tivemos baixas importantes na equipa, mas mantivemos sempre a maior das serenidades. Outros, na nossa condição, tinham optado pela via do despedimento. Essa foi a nossa grande arma.

Depreende-se das suas palavras que o lugar de Vítor Oliveira nunca esteve em risco.
— De modo algum. Toda a gente conhece o seu valor como profissional e seria um erro deixar cair um treinador como o nosso. Sabemos que a II Liga é um campeonato extremamente competitivo, difícil, mas acredito que alcançaremos os nossos objectivos, embora saibamos que há adversários muito fortes. As nossas aspirações mantêm-se intactas. Manter a humildade será fundamental para o nosso sucesso no final do campeonato.

Está nas suas cogitações reforçar a equipa em Janeiro?
— Fizemos um plantel praticamente de raiz com o intuito de ter soluções para todos os sectores. Já contratámos o Jorge Luiz, mas os nossos maiores reforços serão os jogadores que recuperam neste momento de lesões. Naturalmente, não coloco de parte a possibilidade de entrar um ou outro atleta se for necessário.

«NÃO QUEREM O NOSSO SUCESSO»

O orçamento baixou drasticamente em relação à última temporada, tal como as receitas. Tem sido difícil lidar com esta situação?
— Tivemos de nos adaptar a essa realidade. O orçamento teve de ser menor, bastante menor, face às despesas, que também baixaram significativamente. Estou bastante desiludido com o tecido empresarial da Trofa. Há empresários que não querem o sucesso do Trofense, a grande bandeira do concelho. A crise existe, é um facto, mas não é desculpa para não ajudarem o clube. Desejava que houvesse bairrismo em prol do clube, mas isso não se tem verificado. Mas atenção: o tempo do mecenas já acabou!

É inegável que é uma pessoa ambiciosa. Até onde vai a sua meta como presidente?
— Antes de mais, não sou dono do clube, mas sou uma pessoa com uma perspectiva de crescimento sustentado para o Trofense. Nessa conformidade, e depois de vários estudos, não vejo outra solução que não seja crescer ainda mais. O meu sonho é construir uma cidade desportiva, que engloba um novo estádio de 8500 lugares com bancadas cobertas, courts de ténis, circuitos de manutenção, sintéticos para as camadas jovens. Só com este pensamento poderá haver retorno financeiro. É necessário investir primeiro e depois colher os dividendos. Os estudos que foram feitos provam que o Trofense não pode parar no tempo, tem de evoluir mais.

«SÓ FICO SE O PROJECTO FOR APROVADO!»

Tendo em conta as escassas receitas do clube, onde iria conseguir financiamento para um projecto dessa envergadura? A edilidade, naturalmente, teria de ter uma palavra a dizer nessa matéria, ou não?
— Sem dinheiro nada se faz. Existe uma nova presidente de Câmara, que por acaso é sócia do clube e conhece a realidade do mesmo. Já houve uma conversa entre ambas as partes nesse sentido. A localização do actual estádio do Trofense poderia servir para construção e os dividendos retirados dessa venda para investir na cidade desportiva. Os sócios é que têm uma palavra a dizer. Não sou dono do clube, mas a minha continuidade vai depender da aprovação deste projecto. A decisão está na mão dos associados.

Deixa mesmo o clube se os sócios não aprovarem a cidade desportiva?
— Sem dúvida! Quero que acompanhem as minhas ideias.

«HÁ CONCORRÊNCIA DESLEAL»

A Direcção-Geral dos Impostos divulgou há dias uma lista extensa com os devedores ao Fisco e à Segurança Social, na qual constava o nome do Leixões e do V. Setúbal. O presidente do Trofense orgulha-se de o clube que gere cumprir escrupulosamente os seus compromissos e ser mesmo um exemplo a seguir por outros emblemas. Talvez por isso veja com natural preocupação estas notícias e condena aquilo que considera ser «concorrência desleal». «Não posso emitir uma opinião concreta sobre essa matéria, mas não compreendo como determinados clubes conseguem apresentar as certidões das finanças no início das temporadas, nas quais consta a ausência de dívidas ao Estado e algum tempo depois surgem como devedoras. Há clara concorrência desleal e isso não é correcto», lamenta Rui Silva, que também não quis alongar-se em comentários sobre o famigerado caso da Naval, que alegadamente terá mentido em declarações prestadas à Liga sobre os acordos com ex-atletas.

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